Inteligências múltiplas na aprendizagem

Ao contrário do que postula a Pedagogia Tradicional com a crença dos domínios verbal e lógico matemático, existem diferentes manifestações de inteligência. GARDNER (1998) aponta que os indivíduos têm habilidades, identificações, facilidades específicas, inteligências que porporcionam a forma de se absorver o mundo. Significa compreender o homem através de um novo paradigma: quando uma criança não se destaca em determinadas disciplinas na escola, por mais que se empenhe, e em outras é muito bem sucedida, pode-se considerar a Teoria das Inteligências Múltiplas como pano de fundo da situação. Vejamos algumas delas (além da verbal e lógico matemática já consideradas):

  • Musical
  • Visual/espacial
  • Corporal/cinestética
  • Interpessoal
  • Intrapessoal

Esta referência traz uma discussão sobre a metodologia do professor, se considera (ou não) as diferentes tendências individuais dos alunos. Isto é bastante importante, pois em época de “inclusão”, de respeito às diferenças, pode-se abarcar neste contexto tais inteligências. A técnica de ensino, a metodologia de cada professor vai compor um dos elementos cruciais para a promoção da aprendizagem.

Um professor mais tradicional espera que em sua turma de Ensino Fundamental I os alunos se organizem através de dois grupos: dos “fortes” e dos “fracos”. Organiza para cada aula duas atividades distintas, uma para cada grupo.

Um professor contemporâneo, atento às novas tendências em Educação, percebe seus alunos por agrupamentos produtivos, ou seja, serão considerados os saberes de cada um deles, suas similaridades. A partir disto, os grupos dos alunos da turma (duplas, trios, quartetos) terão diferentes tarefas a serem desenvolvidas.

Aquela professora mais tradicional têm equívocos de natureza conceitual sobre o quê e como se aprende.

GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas – a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed, 1995.

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Letramento: uma proposta construtivista

Segundo SOARES (2004) o termo alfabetismo foi usado até a década de 90 para “nomear” a habilidade de um indivíduo no domínio da técnica da codificação e decodificação do alfabeto (escrita e leitura), bem como o exercício desta técnica para refinar, aperfeiçoar, transformar sua própria condição. A partir de 2001 a nomenclatura adequada passa a ser “letramento”, ampliando as possibilidades de interpretação, reflexão, compreensão, leitura de mundo, etc, deste indivíduo.

O professor alfabetizador deve conhecer muito bem o “dois em um” do Ensino Fundamental: alfabetização e letramento. “Dois” porque de fato, são dois termos distintos: “alfabetizar” (codificar e decodificar) e “letrar” (atribuir sentido ao que lê, interpretar) . “Um” porque estes dois termos irão compor um todo que deve ser contemplado nas aulas. Não é possível segundo as novas teorias em Educação, fragmentar tais conceitos, apropriações.

O letramento pode ser vislumbrado em duas dimensões – de natureza individual e social.

a) Individual – concebido como as capacidades individuais sobre a leitura e a escrita, isto é, antecipação de ideias, decifração, significação, pertinência do que foi lido, comunicar-se adequadamente, ortografia correta das palavras, pontuação, seleção de informações sobre um tema, entre outras.

b) Social – entendido como a autonomia do indivíduo sobre um contexto, referente à leitura e a escrita. Considerada a apropriação deste indivíduo sobre a língua.

Um bom professor alfabetizador tem estas diretrizes à mente para organizar uma aula produtiva, para assim proporcionar o desenvolvimento pleno desta autonomia do indivíduo.

SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. São Paulo: Contexto, 2004

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Alfabetização: eis a questão!

Refletir sobre o conceito de alfabetização é necessário para que se possa atribuir sentido à prática pedagógica do professor de Ensino Fundamental I. As antigas cartilhas eram usadas como única referência para alfabetizar, o que é totalmente contestado por Emília Ferreiro e Ana Teberosky desde os anos 80.

Verifiquemos a lição abaixo:

Ela demonstra claramente a preocupação em proporcionar a incorporação da letra V. Palavras sem contexto, registradas lado a lado, mais parecendo um “trava-línguas”, já que trata-se de treino da letra. Por muito tempo este foi considerado um texto pedagógico.

Cada lição da cartilha trabalhava uma unidade silábica com uma palavra-chave. O critério para a apresentação de cada uma destas lições era atribuir grau de dificuldade crescente, ou seja, ir do simples para o complexo (segundo as teorias da época, é claro”). A silabação e os treinos ortográficos só serviam para oferecer  uma noção superficial da leitura. Interpretar um texto significa reescrevê-los. Os erros dos alunos eram mal vistos, não eram “previstos” no processo de aprendizagem.

Estes e outros fatores evidenciam práticas de uniformização, o que descaracteriza a real função da escrita e da leitura.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o ba-be-bi-bo-bu. São Paulo: Scipione, 1998.

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Formação de professores

Desde minha formação no antigo curso de Magistério – CEFAM – Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério – 1996 – carrego algumas inquietações sobre práticas docentes, das quais compartilharei algumas com vocês. Os índices de analfabetismo tem diminuído, atualmente em torno de 13% da população; a LDB 9394/96 garante “respeito” aos ritmos de aprendizados dos alunos, mas ainda é grande o número de pessoas que não interpreta um simples texto: em torno de 75% da população brasileira não dá sentido ao que lê!*

Alfabeto em EVA

Estes índices apontam uma realidade: se as pessoas procuram a escola, já que o número de analfabetos tem diminuído e se mesmo com este acesso, antes encarado como dificultador da aprendizagem (falta de vagas, falta de escolas, etc) estas pessoas não aprendem tudo o que deveriam aprender, o que é mais adequado para cada nível de ensino, é necessário nos debruçarmos a respeito da figura do professor neste processo.

Qual a sua formação? Que concepção de Educação tem? Qual o seu grau de envolvimento com as atividades que desenvolve?

A formação do professor é um aspecto muito importante para a escola atual, já que interfere decisivamente sobre a aula que ministra:

  • Que visão tem este professor sobre a organização do conhecimento? A Pedagogia Tradicional divide o conhecimento em fatias: as disciplinas. Saber fragmentado. Hoje, de acordo com a Teoria da Complexidade, de Edgar Morin, são necessários três princípios para a compreensão macro da realidade: o dialógico, o recursivo e o hologramático ( em outra publicação detalharei do que se tratam os dois primeiros). O terceiro, o hologramático demonstra a importância desta reciprocidade “todo-parte” do conhecimento.
  • Que fundamentos teóricos embasam seu trabalho pedagógico? A Pedagogia mais Tradicional acredita que as pessoas aprendam através da repetição. As pesquisas atuais demonstram que existem estilos de aprendizagem. Gardner, por exemplo considera que existam diferentes “inteligências”, facilidades para aprender, o que representa alternativa de trabalho para o professor.
  • Sua metodologia de trabalho concebe os diferentes degraus de aprendizado de cada aluno? Uma perspectiva construtivista em Educação solicita do professor um planejamento bastante adequado no tocante à sua metodologia de trabalho: ela deve considerar todos os saberes que os alunos possam ter sobre determinado assunto. Certamente que os conhecimentos prévios destes alunos serão muito diversificados. Assim, o professor necessita de uma prática que valorize as diferentes contribuições dos alunos, já que estas bem orientadas suscitarão novos aprendizados. O termo “agrupamento produtivo” sugere que em salas de aulas, com turmas em alfabetização, por exemplo, coloquemos alunos com níveis similares sobre a hipótese de escrita para realizarem atividades juntos, para  exsistir um desafio a ser extrapolado por eles.
  • Preocupa-se com os dados obtidos em atividades ou avaliações dos alunos? Os dados levantados através de um exercício e/ou avaliação formal – que conceitos os alunos aprenderam, quais não aprenderam, qual a média de acertos e erros da turma, entre outros – devem servir de referencial para a organização das aulas que se sucedem.

* Índices do Censo Demográfico de 2000 (último registro)

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Novidade no ar!

Este blog foi criado com o objetivo de proporcionar reflexões sobre Educação. O que é o espaço escola, quem é o professor, que concepção de aprendizagem é mais adequada para cada perfil de aluno, formação de professores, metodologias de ensino, entre outros assuntos serão abordados para estudos.

Agradeço a visita de todos!

Abraço,

Profa. Walkiria.

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Enquete – Tema inicial do blog

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