Como organizar um plano de aula

Em nossa vida cotidiana necessitamos de pequenos planejamentos: ao observarmos o céu nublado, preparamos nosso guarda chuva; se percebemos que o dia se inicia com determinada temperatura, nos organizamos para ele – blusas leves para dias quentes e blusas de mangas longas para dias frios; antes de qualquer refeição, passamos ao toilette para higiene das mãos; etc.

No exercício rotineiro do professor uma tarefa importantíssima é a organização de seus planos de aulas. Mais do que formular mentalmente as idéias de uma aula, o professor necessita de um registro para que consiga verificar os caminhos por onde percorreu (ou não), até que ponto conseguiu administrar aquilo que foi organizado para a aula e assim sistematizar a sucessão de cada uma delas.

Com a elaboração de um plano de aula, o professor antecipa suas metas, bem como as possíveis dúvidas dos alunos. É evidente que algumas colocações inusitadas dos alunos poderão surgir e o professor lidará com o improviso. Isto não representa qualquer prejuízo à aula, pelo contrário, poderá identificar novos interesses dentro do tema proposto, automaticamente, maior visibilidade do tema pelo professor, novas aulas, maior criatividade. Enfim, uma aula organizada otimiza a eficácia do processo de aprendizagem.

Existem partes fundamentais num plano de aula. Abaixo foram relacionadas cada uma delas com suas respectivas implicações.

A) Identificação: É adequado que se inicie um plano com informações pontuais sobre o perfil da aula. Assim, dados como série, disciplina e duração demonstram os limites da ação do professor.

Série (ou ano): A quem se destina esta aula? Por exemplo – 3º ano do Ensino Fundamental.

Disciplina: Registrar qual a disciplina abarcada pela proposta. No caso de proposta interdisciplinar, relacionar todas as disciplinas envolvidas.

Duração: Quanto tempo se tem para o desenvolvimento da proposta de aula? É rotineira a marcação por hora/aula. Por exemplo – 2 h/a.

B) Objetivo (s): Referem-se a aspectos simples, concretos, habilidades alcançáveis em curto prazo.  Demonstram desempenhos observáveis nos alunos. Seria o equivalente ao professor perguntar-se mentalmente “no final desta aula, os meus alunos serão capazes de…” A meta da aula, o que o professor quer desenvolver no aluno.

C) Conteúdo (s): Conjunto dos temas ou assuntos que serão estudados durante a aula, que está diretamente ligado à (s) disciplina (s) registrada (s) na identificação da aula.

D) Procedimentos didáticos / Estratégias / Metodologias (São sinônimos): São os meios utilizados para facilitar a aprendizagem. De que forma o professor organizará sua aula para que o aluno aprenda? Esta parte, normalmente, é registrada através de tópicos, a fim de otimizar a organização do professor.

E) Avaliação: Deve ser encarada como instrumento de feedback,  de devolutiva para o professor. Como isto funciona? Na Pedagogia Tradicional a avaliação serve como termômetro da aprendizagem do aluno, se aprendeu muito ou pouco e esta tarefa é de sua responsabilidade. Numa proposta mais atual, se o aluno aprende “pouco”, o problema pode não ser “do aluno”, mas sim, por exemplo, do professor – se sua linguagem está adequada ao aluno, se os temas propostos são relevantes para os alunos (o professor deve saber da pertinência de cada conhecimento ensinado na vida do aluno), entre outros dificultadores que serão explanados em outro post. Agora, para o plano de aula, o importante é que o professor possa verificar a participação, o envolvimento do aluno na aula. Em uma, duas horas aula, não é possível um registro formal de avaliação, mas sua presença, seu entrosamento na aula, registrados através da observação do professor, podem ser levados em consideração no tocante à avaliação.

Dica: ao finalizar a elaboração do plano de aula, é necessária uma nova leitura da proposta, para última verificação: deve-se imaginar, sempre, que outro professor poderá ministrar a aula preparada por você (leia seu plano de aula imaginando que no dia da referida aula você teve qualquer imprevisto e não compareceu à escola; outro professor teve acesso ao seu plano e irá admiti-lo com os alunos). Com esta “preocupação”, você conseguirá “corrigir” aquilo que não está tão adequado, tão específico, o que demonstrará qualidade em sua produção, proporcionando  uma escrita clara, objetiva.

Para saber mais:

MASETTO, Marcos. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

 

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Piaget, Vygotsky e Wallon – Tripé teórico da Educação

Jean PIAGET

Pesquisar como alguém incorpora um novo conhecimento, como o constrói foi o pontapé inicial de sua “teoria”. Postula que ao se deparar com algo novo, o indivíduo tenta remetê-lo a qualquer coisa com que já tenha tido contato, que já conheça. Imaginemos que nossa cabeça fosse um gavetão de arquivos, com várias pastas suspensas (que antigo, isto nem é mais usado!) onde categorizamos tudo aquilo que sabemos. Assim que temos contato com algo novo, é como se abríssemos este gavetão para procurarmos algo similar, parecido, nas pastas suspensas (categorias) que já possuímos, mas não encontramos nada similar. A esta primeira estranheza do novo, Piaget nomeou assimilação, isto é, reconhecer alguma coisa como diferente do que eu já conheço. A partir deste reconhecimento, do contato com a novidade, da experimentação, o indivíduo refina seus conhecimentos e incorpora uma nova informação, o que proporciona a criação de um novo conceito, nova categoria, o surgimento de uma nova pasta suspensa em nosso gavetão (ou a criação de uma subpasta). A esta nova partição criada, organizada, sistematizada Piaget chama de esquema. Incorporado novo esquema mental, assume-se a acomodação, que define um conhecimento aprendido, incorporado, introjetado.

Vejamos um exemplo:

Uma criança de dois anos e meio conhece diferentes cachorros: pretos, marrons, brancos, de pequeno, médio e grande portes, manchados, lisos, de pelo curto, de focinhos gelados, rabos grandes, etc. Já tem criado em seu gavetão o esquema mental “cachorro”. Numa determinada situação esta criança se depara com um cavalo. Abre seu gavetão mental e procura algo similar. O que tem de mais parecido é o “cachorro”. Neste momento chama o cavalo de “cachorro gigante, ou mamãe cachorro que comeu demais”, entre outras hipóteses. O que importa é que ela tentará “ligar” o cavalo aos animais que já conhece. Como seu repertório é pequeno, precisará lançá-lo ao conhecido: o cachorro. A intervenção de alguém mais experiente é essencial: é ele quem possibilitará novo olhar para este pseudo-cachorro, com perguntas que permitam desafios, problemas para a criança:

– Este animal é mesmo um cachorro? Perceba seu focinho. É igual ao do cachorro? E seu corpo, já tinha visto um cachorro deste tamanho? E as unhas? O rabo é do mesmo tamanho? Etc.

Enfim, questionamentos simples farão com que a criança perceba que este já não se trata de um cachorro, que ele não se enquadra neste esquema mental. Isto representa assimilação.

Depois de algumas experiências com cavalos, desenhos, leituras, visualizações, comparações a criança conseguiu criar nova categoria – cavalo. O reconhecimento do cavalo equivale ao conceito de acomodação. Agora a criança já sabe o que é cavalo e o que é cachorro.

Toda esta seqüência acontecida, do olhar algo novo a apreendê-lo, é o definido como processo de equilibração, para Piaget. Recapitulando:

1.Criança conhece cachorro – está na chamada zona de equilíbrio, de conforto.

2. É apresentada a um cavalo – tenta categorizá-lo como cachorro, mas não consegue, é diferente – zona de desequilíbrio, de desconforto.

3. De tantas experiências com um cavalo, aprende a categorizá-lo – zona de equilíbrio, de conforto novamente.

A função do professor nesta perspectiva é “desequilibrar os esquemas mentais do aluno”, oferecer desafio compatível àquilo que conhece. É necessário um mecanismo contínuo de sondagem dos conhecimentos prévios dos alunos para perceber necessidades de intervenção.

Piaget organizou também os chamados estágios de desenvolvimento, que determinam o nível maturacional da criança, quais suas apropriações de acordo com seu tempo. Suas principais características:

1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos)

  • Período de percepção, sensação e movimento.
  • É regido pela inteligência prática.

2º período: Pré-operatório (2 a 7 anos)

  • Função simbólica – linguagem – comunicação
  • Egocentrismo (reconhece, assume, percebe o seu ponto de vista)
  • Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação – finalismo
  • Jogo simbólico = faz de conta, imaginário
  • Animismo – características humanas a seres inanimados
  • Realismo – materializar suas fantasias
  • Artificialismo – explicar fenômenos da natureza através de atitudes humanas

3º período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos)

  • Reorganiza, interioriza, antecipa ações
  • Diferencia real e fantasia
  • Estabelece relações e admite diferentes pontos de vista
  • Tem noções de tempo, velocidade, espaço, causalidade

4º período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante)

  • Esquemas conceituais abstratos
  • Valores pessoais

 

Lev Semenovitch VYGOTSKY

Vygostsky tem como palavra-chave interação social, o que implica dizer que o desenvolvimento do indivíduo se dá através da relação com o outro, com o mundo.

O conceito de mediação simbólica trata do conceito de intermediação, da relação homem-mundo, que acontece através de duas formas:

a) Instrumentos: objetos, ferramentas criadas pela necessidade de intervenção do homem no mundo – ação. Se toda produção do homem é cultura, a encara como alargadora de possibilidades. Exemplo: o homem precisava percorrer grandes distâncias, inventou o avião, o navio, claro que o que não está em questão é o tempo que se levou para a constituição final destas invenções, mas sim, da necessidade atendida através da idealização.

b) Signos / símbolos: são representações. Exemplo: o símbolo de masculino e feminino. Sentido, significado objetivo. Esta é a primeira categoria. Na segunda, os símbolos demandam abstrações mais elaboradas, internalizadas, reflexivas. Exemplos: noção de tempo. E quando dizemos a palavra mesa. Uma pessoa que escuta já traz em sua memória um desenho qualquer de mesa, a idéia do que é uma mesa, para que ela serve.

A linguagem, contemplada como instrumento do pensamento, tem duas funções:

Comunicação: expressão, intercâmbio social.

Categorização: de classificação, conceituação do mundo: representa inteligência prática.

Zona de desenvolvimento proximal

Conceitos atrelados: conhecimento real e conhecimento potencial

Conhecimento real é aquele em que há o domínio, aquilo que se conhece, sabe, articula. É passado. Exemplo: sei fazer arroz.

Conhecimento potencial é aquele que se pode dominar com a ajuda de outro mais experiente, por exemplo: apesar de saber fazer arroz, só consigo fazer risoto com a ajuda de minha avó, pois ela organiza toda a seqüência da receita para que eu não me perca.

A distância entre o conhecimento real e o conhecimento potencial é chamada de zona de desenvolvimento proximal. É o “lugar imaginário” onde o professor deve atuar no aluno. Se tivermos 42 alunos numa sala de aula, teremos 42 z.d.ps diferentes.

 

Henri WALLON

Defendeu a idéia da compreensão da criança completa, concreta, contextualizada, vista de forma integral, isto é, não mais encarada como um adulto em miniatura, mas sim, como um ser numa etapa de especificidades. Segundo ele são quatro os campos funcionais que visualizam a criança de modo “integrado”:

1. As emoções: manifestação afetiva, relação = interação criança e meio onde está inserida.

2. O movimento: primeiro sinal de vida psíquica. Vislumbrada em duas dimensões:

a) expressiva: base das emoções, de expressão.

b) instrumental: ação direta sobre o meio físico, concreto. Voluntário.

3. A inteligência: 1º momento = sincretismo = misturar as coisas, confusão = não separa qualidade do objeto. Exemplo: criança de dois anos que tem um colega cujo nome da mãe é o mesmo da sua, não aceita a idéia (o nome Maria é da sua mãe, não da mãe do outro).

Com as experimentações da criança sobre o mundo, progressivas diferenciações ocorrem, o que proporciona o ampliar de seu repertório de categorizações. Isto não quer dizer que nunca mais, após a infância, estejamos sujeitos ao “sincretismo”. As grandes invenções, as diferentes idéias surgem de momentos de sincretismo, de mistura, de confusão, de possibilidades, de criatividade.

2º momento = pensamento categorial = conceitual (acontece na idade escolar) possibilidade de pensar o real por meio de categorias, diferenciações, classificações.

4. A contrução do “eu” como pessoa: Como constrói a consciência de si.  Inicialmente o indivíduo está na fusão emocional – No útero materno, necessidades alimentares ou posturais têm satisfação automática. Pós nascimento mamãe e bebê ainda são encarados como um todo, o que representa para WALLON alto grau de sociabilidade – ela e outro = um só, para depois o indivíduo perceber-se enquanto único, o que nomeia processo de individuação.

É caracterizado de duas formas:

imitação do outro = maneira de “incorporar o outro”, o outro como modelo, referência.

negação do outro = para perceber o limite “eu-outro” manifesto meu ponto de vista através de condutas de oposição, o que representa a expulsão do outro em si mesmo.

Picos desta constituição acontecem com 3 e 13 anos, aproximadamente, apesar da considerar que esta diferenciação “eu-outro” nunca é completa, total, ocorre durante toda a vida.

Pode-se assumir, segundo WALLON que a relação destes quatro campos funcionais não é sempre de harmonia, mas sim, de conflito.

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A importância do registro para o professor

Para WEFFORT (1996) o registro é

“A articulação de pensamentos para conhecer o outro, a si, o mundo”.

Na medida em que registra sua prática pedagógica, o professor  possibilita um novo olhar para si próprio: seus conhecimentos, seus limites e possibilidades, sua visão de mundo. Estes registros (dados qualitativos e quantitativos*) não demonstram conclusões, mas sim, inquietações, questionamentos que proporcionarão exercício reflexivo, reparo, aprofundamento, verificação, mudança de seu posicionamento frente ao aluno, à escola, ao conhecimento.

Tal postura requer disciplina, sistematização, organização por parte do professor, cotidianamente. Maneira de colocar o pensamento, a idéia, a criação em prática, o que representa salto qualitativo com relação à sua metodologia de trabalho.

* Acompanhamento de notas, faltas, frequências, de envolvimento familiar, aulas ministradas, metodologias experimentadas, projetos especiais (sucessos e insucessos), avanços individuais e / ou grupais, diários, etc. Relatórios, gráficos, planilhas, entrevistas, impressões, são algumas formas de manejo de dados para o planejamento, a antecipação de ações.

Para saber mais:

WEFFORT, Madalena Freire. Observação, registro, reflexão. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

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Saberes do professor

Segundo FREIRE (1996) pode-se assumir que a prática pedagógica do professor é apresentada, organizada à luz de três possibilidades – arte, política e ciência. O que isto significa?

  • Arte – A tarefa essencial do professor é ensinar. Para a efetivação desta tarefa ele precisa se utilizar de diferentes linguagens para atingir seu aluno. Seu potencial criador precisa ser desenvolvido, administrado, extrapolado. No momento em que explana sobre algum tema e percebe a dificuldade de compreensão de um aluno, por exemplo, o professor “se desdobra”, cria, inventa nova explicação para sanar a lacuna deste aluno.
  • Política – Na medida em que o professor organiza seu trabalho pedagógico, sabe exatamente os objetivos a serem alcançados pelos alunos. Seu discurso não é aleatório, vazio, desconexo, pelo contrário, tem fundamentação teórica, meta, intencionalidade. Demonstra responsabilidade e compromisso, posicionamento.
  • Ciência – A sistematização de sua prática pedagógica requer apego a diferentes registros: acompanhamento de alunos, notas, ausências, planos de disciplinas, aulas, projetos, etc. Cada documento possui características próprias que auxiliam a interpretação de dados e levantamento de  possibilidades de intervenção, logo, do conhecimento se produzirá mais conhecimento.

Para saber mais:

WEFFORT, Madalena Freire. Observação, registro, reflexão. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

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Mapa da Educação

Atentemos aos dados abaixo:

• A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96 garante o respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos: Art. 23 – “A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar”;

Analfabetismo – dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e eEstatística) – 2000 = 13,3% da população brasileira;

Não interpretação de textos simples – dados do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) = 75% da população brasileira;

Paulo Freire (1921-1997) já postulava uma “Educação” como sinônimo de “prática da liberdade”, o que sugeriu novo paradigma desde a década de 60.  Propôs mudanças no material para se alfabetizar, nos objetivos para os quais se alfabetiza e nas relações sociais em que se alfabetiza. Assim, entendeu alfabetização como:

“Meio de democratização da cultura, conscientização, politização, meio de tornar o homem consciente de sua realidade e de sua possibilidade de transformá-la”.

Se a LDB garante o respeito aos diferentes aprendizados dos alunos, se o índice de analfabetismo tem diminuído nos últimos anos, se Paulo Freire desde a década de 50 salientava a importância de uma Educação diferenciada, que atrele conhecimento e aplicabilidade, como explica-se o fenômeno de 75% dos brasileiros não conseguirem compreender minimamente um texto simples, como um bilhete, por exemplo, em 2010?

Para saber mais:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

www.ibge.gov.br

www.ibope.com.br

 

 

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Alfabetário do Educador

Brincadeira bem humorada para registrar as palavras que todo Educador tem em mente.

Teste seus esquemas mentais e sugira novos vocábulos em “comentários”:

A = alfabetização, aprendizagem, avaliação, aluno, atividade, afetividade

B = bê-a-bá, brincadeira

C =  continuidade, crescimento, conteúdo, cognição

D = diversidade, diversão, direitos, deveres, desenvolvimento

E = escrita, educação, espaço, entrosamento

F = facilitador, familia

G = globalização, geração

H = habilidade

I = inteligências, individualidade

J = juventude, jogo

L = livro, leitura

M = metodologia, maturidade, memória, metáfora, música

N = novidade, norte

O = objetivo

P = professor, plano, projeto, participação, produção

Q = qualidade, querer

R = relação, roteiro, reflexão, reabilitação, resgate

S = sondagem, sucesso, social

T = tendência, tradicional, tempo

U = utilidade

V = verdade, vida

X = xícara (um professor normalmente não fica sem um cafezinho!)

Z = zelo.

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Enquete!

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Inteligências múltiplas na aprendizagem

Ao contrário do que postula a Pedagogia Tradicional com a crença dos domínios verbal e lógico matemático, existem diferentes manifestações de inteligência. GARDNER (1998) aponta que os indivíduos têm habilidades, identificações, facilidades específicas, inteligências que porporcionam a forma de se absorver o mundo. Significa compreender o homem através de um novo paradigma: quando uma criança não se destaca em determinadas disciplinas na escola, por mais que se empenhe, e em outras é muito bem sucedida, pode-se considerar a Teoria das Inteligências Múltiplas como pano de fundo da situação. Vejamos algumas delas (além da verbal e lógico matemática já consideradas):

  • Musical
  • Visual/espacial
  • Corporal/cinestética
  • Interpessoal
  • Intrapessoal

Esta referência traz uma discussão sobre a metodologia do professor, se considera (ou não) as diferentes tendências individuais dos alunos. Isto é bastante importante, pois em época de “inclusão”, de respeito às diferenças, pode-se abarcar neste contexto tais inteligências. A técnica de ensino, a metodologia de cada professor vai compor um dos elementos cruciais para a promoção da aprendizagem.

Um professor mais tradicional espera que em sua turma de Ensino Fundamental I os alunos se organizem através de dois grupos: dos “fortes” e dos “fracos”. Organiza para cada aula duas atividades distintas, uma para cada grupo.

Um professor contemporâneo, atento às novas tendências em Educação, percebe seus alunos por agrupamentos produtivos, ou seja, serão considerados os saberes de cada um deles, suas similaridades. A partir disto, os grupos dos alunos da turma (duplas, trios, quartetos) terão diferentes tarefas a serem desenvolvidas.

Aquela professora mais tradicional têm equívocos de natureza conceitual sobre o quê e como se aprende.

GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas – a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed, 1995.

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Letramento: uma proposta construtivista

Segundo SOARES (2004) o termo alfabetismo foi usado até a década de 90 para “nomear” a habilidade de um indivíduo no domínio da técnica da codificação e decodificação do alfabeto (escrita e leitura), bem como o exercício desta técnica para refinar, aperfeiçoar, transformar sua própria condição. A partir de 2001 a nomenclatura adequada passa a ser “letramento”, ampliando as possibilidades de interpretação, reflexão, compreensão, leitura de mundo, etc, deste indivíduo.

O professor alfabetizador deve conhecer muito bem o “dois em um” do Ensino Fundamental: alfabetização e letramento. “Dois” porque de fato, são dois termos distintos: “alfabetizar” (codificar e decodificar) e “letrar” (atribuir sentido ao que lê, interpretar) . “Um” porque estes dois termos irão compor um todo que deve ser contemplado nas aulas. Não é possível segundo as novas teorias em Educação, fragmentar tais conceitos, apropriações.

O letramento pode ser vislumbrado em duas dimensões – de natureza individual e social.

a) Individual – concebido como as capacidades individuais sobre a leitura e a escrita, isto é, antecipação de ideias, decifração, significação, pertinência do que foi lido, comunicar-se adequadamente, ortografia correta das palavras, pontuação, seleção de informações sobre um tema, entre outras.

b) Social – entendido como a autonomia do indivíduo sobre um contexto, referente à leitura e a escrita. Considerada a apropriação deste indivíduo sobre a língua.

Um bom professor alfabetizador tem estas diretrizes à mente para organizar uma aula produtiva, para assim proporcionar o desenvolvimento pleno desta autonomia do indivíduo.

SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. São Paulo: Contexto, 2004

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Alfabetização: eis a questão!

Refletir sobre o conceito de alfabetização é necessário para que se possa atribuir sentido à prática pedagógica do professor de Ensino Fundamental I. As antigas cartilhas eram usadas como única referência para alfabetizar, o que é totalmente contestado por Emília Ferreiro e Ana Teberosky desde os anos 80.

Verifiquemos a lição abaixo:

Ela demonstra claramente a preocupação em proporcionar a incorporação da letra V. Palavras sem contexto, registradas lado a lado, mais parecendo um “trava-línguas”, já que trata-se de treino da letra. Por muito tempo este foi considerado um texto pedagógico.

Cada lição da cartilha trabalhava uma unidade silábica com uma palavra-chave. O critério para a apresentação de cada uma destas lições era atribuir grau de dificuldade crescente, ou seja, ir do simples para o complexo (segundo as teorias da época, é claro”). A silabação e os treinos ortográficos só serviam para oferecer  uma noção superficial da leitura. Interpretar um texto significa reescrevê-los. Os erros dos alunos eram mal vistos, não eram “previstos” no processo de aprendizagem.

Estes e outros fatores evidenciam práticas de uniformização, o que descaracteriza a real função da escrita e da leitura.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o ba-be-bi-bo-bu. São Paulo: Scipione, 1998.

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