Planejamento pedagógico e avaliação da aprendizagem: um par mais do que perfeito em Educação

“Só aprende aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas”. (Paulo Freire)

A ação do homem no mundo acontece de duas formas:

a) de modo espontâneo, aleatório, sem grandes demarcações de tempo, espaço, condição;

b) de modo pensado, antecipado, planejado. Neste âmbito o atendimento a uma determinada necessidade é o eixo motivador de sua articulação de pensamento: a meta, o objetivo, o que se pretende alcançar com uma ação é a forma pela qual o homem se instrumentaliza para efetivar seu desejo.

Esta interferência do homem no mundo produz efeitos positivos e negativos. Positivos na medida em que colaboram para o desencadear de outras ações planejadas, que visem, por exemplo, o bem comum – coleta seletiva de lixo.

Negativos na medida em que acarretam prejuízos, por exemplo, ao meio ambiente: o descarte de lixo sem qualquer preocupação com a sua separação.

Percebe-se desta forma, que toda ação do homem está amarrada de valores, de escolhas, de intencionalidade. Em Educação, não é diferente. É necessário que o professor esteja atento às suas ações, a fim de tratar com apreço cada situação vivida.

Definições rápidas que auxiliam a organização das ideias:

Planejar = definir antecipadamente um conjunto de ações, de intenções.

Avaliar = conhecer o valor de, compreender, apreciar, considerar.

Planejar em Educação tem sido atrelado apenas ao movimento de organização de conteúdos e metodologias para se garantir a eficácia do processo de aprendizagem. Sim, esta é uma fração que faz parte da antecipação de ações pedagógicas, mas como podemos verificar abaixo, ainda restam outras frações para oferecer a totalidade no sentido da palavra planejar:

a)      aspecto técnico: este relatado acima. De nível organizacional, de ordem das ideias, dos meios para a obtenção de resultados. Qual a melhor forma de planejar? Que periodicidade é necessária para a retomada de resultados, bem como nova organização de propostas pedagógicas? Que recursos podem facilitar o processo de aprendizagem na especificidade de cada conteúdo? Etc.

b)      aspecto político social: comprometimento com finalidades sociais e políticas da Educação – Para que educar? Como educar? Que homem formar? Que habilidades priorizar? E outras questões desta natureza. Investimento intelectual que se conseguirá visualizar “o resultado” a médio e longo prazos.

c)      aspecto científico: não se pode planejar sem o conhecimento da realidade em que se está inserido. Quem é meu aluno? Onde vive? O que conhece? A que perfil de família pertence? Entre outras.

Avaliar é uma tarefa de articulação. A avaliação deve estar em consonância com os objetivos elencados no planejamento pedagógico. Não é possível compreender o ato de avaliar como um momento de início e fim num curto período, nem mesmo descolá-lo dos temas oferecidos ao aluno. A proposta que parece óbvia (planejamento – avaliação) não é bem aceita por professores mais tradicionais, cuja prática trata-se de verificações sem sentido para o aluno, rigorosas em critérios e complexidade e ainda utilizada como controle de comportamento.

Deixo o convite à reflexão: como possibilitar a articulação efetiva de planejamento-avaliação no cotidiano escolar?

Para saber mais:

http://www.priberam.pt/dlpo/

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2008.

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Pedagogia do Exame

Numa perspectiva tradicional da Educação, o movimento de avaliação é uma preocupação dos sistemas de ensino, das escolas, dos pais e dos alunos. Equivocadamente, “a nota” é o centro das atenções e é compreendida como a referência:

a) Da ideologia que sustenta esta tendência: educação no sentido do macro, do acúmulo de saberes, dos conteúdos descolados da realidade, das provas desconectadas com o processo de aprendizagem. “Medir” o que o aluno “devolve” ao final do mês ou bimestre;

b) Dos índices de aprovação / retenção: apresentam manipulação do processo de ensino;

c) Do desempenho do aluno: no início do ano letivo de um curso, a preocupação central não é com “o que vou aprender” ou “como vou aprender”, mas sim “como ser aprovado?”;

As reuniões de pais e mestres demonstram claramente este tripé: os pais dos alunos de desempenho satisfatório participavam pouco destes momentos, já que o centro das reflexões era o grupo de alunos que não davam conta do padrão mínimo das notas. Admite-se este posicionamento como uma leitura ingênua do processo de aprendizagem.

O professor tratava a avaliação como forma de “provar” que o aluno nada sabia. Sua vaidade era evidenciada no momento em que percebia alto índice de notas abaixo da média. Significava sua competência, sinal de “status”.

Os famosos “pontos a mais” nada representavam sobre o aprender: “Um ponto a mais na média para quem trouxer amanhã o material completo para a aula de Ciências”. Pelo contrário, deixavam bastante claro uma perspectiva de condicionamento, de comportamento controlado dos alunos.

As ameaças demonstravam o uso da avaliação como “disciplinamento social”, ou seja, através do medo eu (professor) “garanto” a eficácia do processo de aprendizagem – meus alunos irão estudar com medo da retenção. Medo este encarado como controle social: gera va posturas de submissão forçadas, aceitação.

Para saber mais:

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2008.

 

 

 

 

 

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Como organizar um plano de aula

Em nossa vida cotidiana necessitamos de pequenos planejamentos: ao observarmos o céu nublado, preparamos nosso guarda chuva; se percebemos que o dia se inicia com determinada temperatura, nos organizamos para ele – blusas leves para dias quentes e blusas de mangas longas para dias frios; antes de qualquer refeição, passamos ao toilette para higiene das mãos; etc.

No exercício rotineiro do professor uma tarefa importantíssima é a organização de seus planos de aulas. Mais do que formular mentalmente as idéias de uma aula, o professor necessita de um registro para que consiga verificar os caminhos por onde percorreu (ou não), até que ponto conseguiu administrar aquilo que foi organizado para a aula e assim sistematizar a sucessão de cada uma delas.

Com a elaboração de um plano de aula, o professor antecipa suas metas, bem como as possíveis dúvidas dos alunos. É evidente que algumas colocações inusitadas dos alunos poderão surgir e o professor lidará com o improviso. Isto não representa qualquer prejuízo à aula, pelo contrário, poderá identificar novos interesses dentro do tema proposto, automaticamente, maior visibilidade do tema pelo professor, novas aulas, maior criatividade. Enfim, uma aula organizada otimiza a eficácia do processo de aprendizagem.

Existem partes fundamentais num plano de aula. Abaixo foram relacionadas cada uma delas com suas respectivas implicações.

A) Identificação: É adequado que se inicie um plano com informações pontuais sobre o perfil da aula. Assim, dados como série, disciplina e duração demonstram os limites da ação do professor.

Série (ou ano): A quem se destina esta aula? Por exemplo – 3º ano do Ensino Fundamental.

Disciplina: Registrar qual a disciplina abarcada pela proposta. No caso de proposta interdisciplinar, relacionar todas as disciplinas envolvidas.

Duração: Quanto tempo se tem para o desenvolvimento da proposta de aula? É rotineira a marcação por hora/aula. Por exemplo – 2 h/a.

B) Objetivo (s): Referem-se a aspectos simples, concretos, habilidades alcançáveis em curto prazo.  Demonstram desempenhos observáveis nos alunos. Seria o equivalente ao professor perguntar-se mentalmente “no final desta aula, os meus alunos serão capazes de…” A meta da aula, o que o professor quer desenvolver no aluno.

C) Conteúdo (s): Conjunto dos temas ou assuntos que serão estudados durante a aula, que está diretamente ligado à (s) disciplina (s) registrada (s) na identificação da aula.

D) Procedimentos didáticos / Estratégias / Metodologias (São sinônimos): São os meios utilizados para facilitar a aprendizagem. De que forma o professor organizará sua aula para que o aluno aprenda? Esta parte, normalmente, é registrada através de tópicos, a fim de otimizar a organização do professor.

E) Avaliação: Deve ser encarada como instrumento de feedback,  de devolutiva para o professor. Como isto funciona? Na Pedagogia Tradicional a avaliação serve como termômetro da aprendizagem do aluno, se aprendeu muito ou pouco e esta tarefa é de sua responsabilidade. Numa proposta mais atual, se o aluno aprende “pouco”, o problema pode não ser “do aluno”, mas sim, por exemplo, do professor – se sua linguagem está adequada ao aluno, se os temas propostos são relevantes para os alunos (o professor deve saber da pertinência de cada conhecimento ensinado na vida do aluno), entre outros dificultadores que serão explanados em outro post. Agora, para o plano de aula, o importante é que o professor possa verificar a participação, o envolvimento do aluno na aula. Em uma, duas horas aula, não é possível um registro formal de avaliação, mas sua presença, seu entrosamento na aula, registrados através da observação do professor, podem ser levados em consideração no tocante à avaliação.

Dica: ao finalizar a elaboração do plano de aula, é necessária uma nova leitura da proposta, para última verificação: deve-se imaginar, sempre, que outro professor poderá ministrar a aula preparada por você (leia seu plano de aula imaginando que no dia da referida aula você teve qualquer imprevisto e não compareceu à escola; outro professor teve acesso ao seu plano e irá admiti-lo com os alunos). Com esta “preocupação”, você conseguirá “corrigir” aquilo que não está tão adequado, tão específico, o que demonstrará qualidade em sua produção, proporcionando  uma escrita clara, objetiva.

Para saber mais:

MASETTO, Marcos. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

 

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Piaget, Vygotsky e Wallon – Tripé teórico da Educação

Jean PIAGET

Pesquisar como alguém incorpora um novo conhecimento, como o constrói foi o pontapé inicial de sua “teoria”. Postula que ao se deparar com algo novo, o indivíduo tenta remetê-lo a qualquer coisa com que já tenha tido contato, que já conheça. Imaginemos que nossa cabeça fosse um gavetão de arquivos, com várias pastas suspensas (que antigo, isto nem é mais usado!) onde categorizamos tudo aquilo que sabemos. Assim que temos contato com algo novo, é como se abríssemos este gavetão para procurarmos algo similar, parecido, nas pastas suspensas (categorias) que já possuímos, mas não encontramos nada similar. A esta primeira estranheza do novo, Piaget nomeou assimilação, isto é, reconhecer alguma coisa como diferente do que eu já conheço. A partir deste reconhecimento, do contato com a novidade, da experimentação, o indivíduo refina seus conhecimentos e incorpora uma nova informação, o que proporciona a criação de um novo conceito, nova categoria, o surgimento de uma nova pasta suspensa em nosso gavetão (ou a criação de uma subpasta). A esta nova partição criada, organizada, sistematizada Piaget chama de esquema. Incorporado novo esquema mental, assume-se a acomodação, que define um conhecimento aprendido, incorporado, introjetado.

Vejamos um exemplo:

Uma criança de dois anos e meio conhece diferentes cachorros: pretos, marrons, brancos, de pequeno, médio e grande portes, manchados, lisos, de pelo curto, de focinhos gelados, rabos grandes, etc. Já tem criado em seu gavetão o esquema mental “cachorro”. Numa determinada situação esta criança se depara com um cavalo. Abre seu gavetão mental e procura algo similar. O que tem de mais parecido é o “cachorro”. Neste momento chama o cavalo de “cachorro gigante, ou mamãe cachorro que comeu demais”, entre outras hipóteses. O que importa é que ela tentará “ligar” o cavalo aos animais que já conhece. Como seu repertório é pequeno, precisará lançá-lo ao conhecido: o cachorro. A intervenção de alguém mais experiente é essencial: é ele quem possibilitará novo olhar para este pseudo-cachorro, com perguntas que permitam desafios, problemas para a criança:

– Este animal é mesmo um cachorro? Perceba seu focinho. É igual ao do cachorro? E seu corpo, já tinha visto um cachorro deste tamanho? E as unhas? O rabo é do mesmo tamanho? Etc.

Enfim, questionamentos simples farão com que a criança perceba que este já não se trata de um cachorro, que ele não se enquadra neste esquema mental. Isto representa assimilação.

Depois de algumas experiências com cavalos, desenhos, leituras, visualizações, comparações a criança conseguiu criar nova categoria – cavalo. O reconhecimento do cavalo equivale ao conceito de acomodação. Agora a criança já sabe o que é cavalo e o que é cachorro.

Toda esta seqüência acontecida, do olhar algo novo a apreendê-lo, é o definido como processo de equilibração, para Piaget. Recapitulando:

1.Criança conhece cachorro – está na chamada zona de equilíbrio, de conforto.

2. É apresentada a um cavalo – tenta categorizá-lo como cachorro, mas não consegue, é diferente – zona de desequilíbrio, de desconforto.

3. De tantas experiências com um cavalo, aprende a categorizá-lo – zona de equilíbrio, de conforto novamente.

A função do professor nesta perspectiva é “desequilibrar os esquemas mentais do aluno”, oferecer desafio compatível àquilo que conhece. É necessário um mecanismo contínuo de sondagem dos conhecimentos prévios dos alunos para perceber necessidades de intervenção.

Piaget organizou também os chamados estágios de desenvolvimento, que determinam o nível maturacional da criança, quais suas apropriações de acordo com seu tempo. Suas principais características:

1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos)

  • Período de percepção, sensação e movimento.
  • É regido pela inteligência prática.

2º período: Pré-operatório (2 a 7 anos)

  • Função simbólica – linguagem – comunicação
  • Egocentrismo (reconhece, assume, percebe o seu ponto de vista)
  • Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação – finalismo
  • Jogo simbólico = faz de conta, imaginário
  • Animismo – características humanas a seres inanimados
  • Realismo – materializar suas fantasias
  • Artificialismo – explicar fenômenos da natureza através de atitudes humanas

3º período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos)

  • Reorganiza, interioriza, antecipa ações
  • Diferencia real e fantasia
  • Estabelece relações e admite diferentes pontos de vista
  • Tem noções de tempo, velocidade, espaço, causalidade

4º período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante)

  • Esquemas conceituais abstratos
  • Valores pessoais

 

Lev Semenovitch VYGOTSKY

Vygostsky tem como palavra-chave interação social, o que implica dizer que o desenvolvimento do indivíduo se dá através da relação com o outro, com o mundo.

O conceito de mediação simbólica trata do conceito de intermediação, da relação homem-mundo, que acontece através de duas formas:

a) Instrumentos: objetos, ferramentas criadas pela necessidade de intervenção do homem no mundo – ação. Se toda produção do homem é cultura, a encara como alargadora de possibilidades. Exemplo: o homem precisava percorrer grandes distâncias, inventou o avião, o navio, claro que o que não está em questão é o tempo que se levou para a constituição final destas invenções, mas sim, da necessidade atendida através da idealização.

b) Signos / símbolos: são representações. Exemplo: o símbolo de masculino e feminino. Sentido, significado objetivo. Esta é a primeira categoria. Na segunda, os símbolos demandam abstrações mais elaboradas, internalizadas, reflexivas. Exemplos: noção de tempo. E quando dizemos a palavra mesa. Uma pessoa que escuta já traz em sua memória um desenho qualquer de mesa, a idéia do que é uma mesa, para que ela serve.

A linguagem, contemplada como instrumento do pensamento, tem duas funções:

Comunicação: expressão, intercâmbio social.

Categorização: de classificação, conceituação do mundo: representa inteligência prática.

Zona de desenvolvimento proximal

Conceitos atrelados: conhecimento real e conhecimento potencial

Conhecimento real é aquele em que há o domínio, aquilo que se conhece, sabe, articula. É passado. Exemplo: sei fazer arroz.

Conhecimento potencial é aquele que se pode dominar com a ajuda de outro mais experiente, por exemplo: apesar de saber fazer arroz, só consigo fazer risoto com a ajuda de minha avó, pois ela organiza toda a seqüência da receita para que eu não me perca.

A distância entre o conhecimento real e o conhecimento potencial é chamada de zona de desenvolvimento proximal. É o “lugar imaginário” onde o professor deve atuar no aluno. Se tivermos 42 alunos numa sala de aula, teremos 42 z.d.ps diferentes.

 

Henri WALLON

Defendeu a idéia da compreensão da criança completa, concreta, contextualizada, vista de forma integral, isto é, não mais encarada como um adulto em miniatura, mas sim, como um ser numa etapa de especificidades. Segundo ele são quatro os campos funcionais que visualizam a criança de modo “integrado”:

1. As emoções: manifestação afetiva, relação = interação criança e meio onde está inserida.

2. O movimento: primeiro sinal de vida psíquica. Vislumbrada em duas dimensões:

a) expressiva: base das emoções, de expressão.

b) instrumental: ação direta sobre o meio físico, concreto. Voluntário.

3. A inteligência: 1º momento = sincretismo = misturar as coisas, confusão = não separa qualidade do objeto. Exemplo: criança de dois anos que tem um colega cujo nome da mãe é o mesmo da sua, não aceita a idéia (o nome Maria é da sua mãe, não da mãe do outro).

Com as experimentações da criança sobre o mundo, progressivas diferenciações ocorrem, o que proporciona o ampliar de seu repertório de categorizações. Isto não quer dizer que nunca mais, após a infância, estejamos sujeitos ao “sincretismo”. As grandes invenções, as diferentes idéias surgem de momentos de sincretismo, de mistura, de confusão, de possibilidades, de criatividade.

2º momento = pensamento categorial = conceitual (acontece na idade escolar) possibilidade de pensar o real por meio de categorias, diferenciações, classificações.

4. A contrução do “eu” como pessoa: Como constrói a consciência de si.  Inicialmente o indivíduo está na fusão emocional – No útero materno, necessidades alimentares ou posturais têm satisfação automática. Pós nascimento mamãe e bebê ainda são encarados como um todo, o que representa para WALLON alto grau de sociabilidade – ela e outro = um só, para depois o indivíduo perceber-se enquanto único, o que nomeia processo de individuação.

É caracterizado de duas formas:

imitação do outro = maneira de “incorporar o outro”, o outro como modelo, referência.

negação do outro = para perceber o limite “eu-outro” manifesto meu ponto de vista através de condutas de oposição, o que representa a expulsão do outro em si mesmo.

Picos desta constituição acontecem com 3 e 13 anos, aproximadamente, apesar da considerar que esta diferenciação “eu-outro” nunca é completa, total, ocorre durante toda a vida.

Pode-se assumir, segundo WALLON que a relação destes quatro campos funcionais não é sempre de harmonia, mas sim, de conflito.

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A importância do registro para o professor

Para WEFFORT (1996) o registro é

“A articulação de pensamentos para conhecer o outro, a si, o mundo”.

Na medida em que registra sua prática pedagógica, o professor  possibilita um novo olhar para si próprio: seus conhecimentos, seus limites e possibilidades, sua visão de mundo. Estes registros (dados qualitativos e quantitativos*) não demonstram conclusões, mas sim, inquietações, questionamentos que proporcionarão exercício reflexivo, reparo, aprofundamento, verificação, mudança de seu posicionamento frente ao aluno, à escola, ao conhecimento.

Tal postura requer disciplina, sistematização, organização por parte do professor, cotidianamente. Maneira de colocar o pensamento, a idéia, a criação em prática, o que representa salto qualitativo com relação à sua metodologia de trabalho.

* Acompanhamento de notas, faltas, frequências, de envolvimento familiar, aulas ministradas, metodologias experimentadas, projetos especiais (sucessos e insucessos), avanços individuais e / ou grupais, diários, etc. Relatórios, gráficos, planilhas, entrevistas, impressões, são algumas formas de manejo de dados para o planejamento, a antecipação de ações.

Para saber mais:

WEFFORT, Madalena Freire. Observação, registro, reflexão. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

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Saberes do professor

Segundo FREIRE (1996) pode-se assumir que a prática pedagógica do professor é apresentada, organizada à luz de três possibilidades – arte, política e ciência. O que isto significa?

  • Arte – A tarefa essencial do professor é ensinar. Para a efetivação desta tarefa ele precisa se utilizar de diferentes linguagens para atingir seu aluno. Seu potencial criador precisa ser desenvolvido, administrado, extrapolado. No momento em que explana sobre algum tema e percebe a dificuldade de compreensão de um aluno, por exemplo, o professor “se desdobra”, cria, inventa nova explicação para sanar a lacuna deste aluno.
  • Política – Na medida em que o professor organiza seu trabalho pedagógico, sabe exatamente os objetivos a serem alcançados pelos alunos. Seu discurso não é aleatório, vazio, desconexo, pelo contrário, tem fundamentação teórica, meta, intencionalidade. Demonstra responsabilidade e compromisso, posicionamento.
  • Ciência – A sistematização de sua prática pedagógica requer apego a diferentes registros: acompanhamento de alunos, notas, ausências, planos de disciplinas, aulas, projetos, etc. Cada documento possui características próprias que auxiliam a interpretação de dados e levantamento de  possibilidades de intervenção, logo, do conhecimento se produzirá mais conhecimento.

Para saber mais:

WEFFORT, Madalena Freire. Observação, registro, reflexão. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

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Mapa da Educação

Atentemos aos dados abaixo:

• A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96 garante o respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos: Art. 23 – “A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar”;

Analfabetismo – dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e eEstatística) – 2000 = 13,3% da população brasileira;

Não interpretação de textos simples – dados do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) = 75% da população brasileira;

Paulo Freire (1921-1997) já postulava uma “Educação” como sinônimo de “prática da liberdade”, o que sugeriu novo paradigma desde a década de 60.  Propôs mudanças no material para se alfabetizar, nos objetivos para os quais se alfabetiza e nas relações sociais em que se alfabetiza. Assim, entendeu alfabetização como:

“Meio de democratização da cultura, conscientização, politização, meio de tornar o homem consciente de sua realidade e de sua possibilidade de transformá-la”.

Se a LDB garante o respeito aos diferentes aprendizados dos alunos, se o índice de analfabetismo tem diminuído nos últimos anos, se Paulo Freire desde a década de 50 salientava a importância de uma Educação diferenciada, que atrele conhecimento e aplicabilidade, como explica-se o fenômeno de 75% dos brasileiros não conseguirem compreender minimamente um texto simples, como um bilhete, por exemplo, em 2010?

Para saber mais:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

www.ibge.gov.br

www.ibope.com.br

 

 

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