Atentemos aos dados abaixo:
• A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96 garante o respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos: Art. 23 – “A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar”;
• Analfabetismo – dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e eEstatística) – 2000 = 13,3% da população brasileira;
• Não interpretação de textos simples – dados do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) = 75% da população brasileira;
• Paulo Freire (1921-1997) já postulava uma “Educação” como sinônimo de “prática da liberdade”, o que sugeriu novo paradigma desde a década de 60. Propôs mudanças no material para se alfabetizar, nos objetivos para os quais se alfabetiza e nas relações sociais em que se alfabetiza. Assim, entendeu alfabetização como:
“Meio de democratização da cultura, conscientização, politização, meio de tornar o homem consciente de sua realidade e de sua possibilidade de transformá-la”.
Se a LDB garante o respeito aos diferentes aprendizados dos alunos, se o índice de analfabetismo tem diminuído nos últimos anos, se Paulo Freire desde a década de 50 salientava a importância de uma Educação diferenciada, que atrele conhecimento e aplicabilidade, como explica-se o fenômeno de 75% dos brasileiros não conseguirem compreender minimamente um texto simples, como um bilhete, por exemplo, em 2010?
Para saber mais:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.






