Relação professor-aluno e o processo de aprendizagem (no Ensino Superior)

“Sala de aula: local privilegiado para a satisfação de muitas necessidades, sobretudo das sociais e de estima”. (p.57)

A aprendizagem é o grande foco do processo pedagógico, atualmente, segundo as considerações de diferentes autores na área da Educação. Aponta-se que um dos fatores mais importantes para a sua constituição é a relação que se estabelece entre o professor e o aluno, mas antes de adentrarmos nessa temática propriamente dita, é necessário explanar sobre todo o contexto em que essa relação encontra-se inserida.

Os planejamentos de cursos, de séries, de disciplinas demonstram a ideologia da universidade com relação ao perfil de homem que querem formar, que valores serão priorizados, que concepção de ensino-aprendizagem irão defender (ler post anterior sobre planejamento e suas considerações).

Com a apropriação desses instrumentos balizadores, o professor antecipa uma série de questões a respeito da disciplina no curso: sua importância, a relação com as outras disciplinas, a teoria na prática, etc, que contribuirão para refinar a relação professor-aluno, tendo em vista a aproximação do significado de sua mensagem ao aluno. Essa condição citada pode nomear-se contrato didático, que significa o reconhecimento dos papéis (de professor e de aluno) no processo de aprendizagem, que envolvem valores como respeito, consideração e responsabilidade. GIL (2013) ponta também que o professor que extrapola os aspectos formais da aula consegue um resultado ainda mais positivo em sua prática: interesse dos alunos, participação, envolvimento, o que implica numa aprendizagem muito mais significativa.

“O que o professor ensina sem querer ensinar e o que os alunos aprendem sem querer aprender, por sua vez, pode representar o mais importante e mais permanente produto do processo ensino-aprendizagem”. (p. 58)

Enfoques teóricos que colaboram para a compreensão dessa relação

CARL ROGERS (1902-1987)

Pioneiro – Psicologia Humanista / Pai da Educação Não Diretiva

“… Não, a facilitação da aprendizagem significativa repousa em certas qualidades de atitude que existem no relacionamento pessoal entre o facilitador e o estudante” (ROGERS, 1986, p.127)

Para ele a aprendizagem se desenrola a partir de algumas qualidades, a saber:

Autenticidade – ser uma pessoa real (tirar a máscara de “professor”);

Apreço pelo estudante – aceitar o estudante como uma pessoa que tem valor por si mesma – promoção de um clima de confiança;

Compreensão empática – compreender internamente as reações do estudante, sensibilidade, saber colocar-se no lugar do outro – promoção de uma aprendizagem significativa.

CONSTRUTIVISMO

No Construtivismo a escola precisa “promover a harmonização das necessidades individuais com as exigências do meio social” (p. 62) A aprendizagem, por sua vez, é compreendida como o “processo de reestruturação de conhecimentos prévios, e com base neles, novos conhecimentos são ancorados” (p.63) – Ler post anterior Piaget, Vygotsky e Wallon – tripé teórico da Educação. O foco das propostas pedagógicas deve ser o desequilíbrio dos processos mentais a fim de propiciar novas habilidades cognitivas, ou deixa-las mais complexas. A interação entre professor e aluno considera o levantamento de conhecimentos prévios e a mediação do conhecimento. São condições essenciais nessa tendência educacional: diálogos, responsabilidades, estratégias, conteúdos e experiências.

Momentos significativos no relacionamento com os estudantes

Mantendo o primeiro contato com a classe

Segundo GIL, as primeiras informações podem ser decisivas para constituição da impressão do aluno com relação à disciplina e à visão sobre o professor. É importante que ele se organize para que sejam positivas: atividades, dinâmicas, propostas que causem grande impacto no primeiro contato pode ser decisivo para a constituição da relação professor-aluno. GIL considera, ainda, que a sensibilidade deve ser a tônica do trabalho do professor. E que conhecer os alunos pelo nome, por exemplo, demonstra grande apreço por eles, é um diferencial.

Dando e recebendo feedback

É importante que o professor esteja atento às manifestações dos alunos a respeito da aula, do conhecimento apresentado, se todos estão compreendendo sua explanação, se tem dúvidas, de o assunto é considerado pertinente, etc. Esse feedback sobre a aula o professor consegue não apenas com as avaliações formais, mas também com questionamentos durante as aulas, atividades diferenciadas, pesquisas. De outra forma, os alunos precisam ter ciência a respeito de seu desenvolvimento durante as aulas. As produções dos alunos com as devidas anotações do professor, respostas a perguntas realizadas durante as aulas são exemplos de recurso valioso sobre a aprendizagem.

Abrindo-se aos estudantes

A relação fora da sala de aula, em momentos de intervalo, pré e pós aula constituem, segundo GIL, ricas oportunidades de troca entre professor e aluno. Extrapolar o horário de aula pode ser bastante favorável para o estabelecimento de maior vínculo nessa relação.

Resumo do capítulo 4 do livro:

GIL, Antonio Carlos. Didática do Ensino Superior. São Paulo: Atlas, 2013.

Anúncios
Esse post foi publicado em Práticas pedagógicas docentes e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s