
Planejar por hipótese de escrita significa planejar a partir do que a criança pensa sobre o sistema de escrita — como nos ensina Emília Ferreiro. A criança não “erra”, ela formula hipóteses sobre a construção e o funcionamento da língua. E é a partir dessas hipóteses que o professor organiza intervenções. A IA pode apoiar esse processo de forma estratégica.
1. Organização das hipóteses
A partir dos registros das produções da turma (sem exposição de dados sensíveis), é possível solicitar:
- Organização por níveis: pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética;
- Sugestões de agrupamentos produtivos;
- Propostas diferenciadas por hipótese.
Isso otimiza tempo e favorece planejamento intencional, especialmente em turmas numerosas.
2. Atividades específicas por hipótese
Para alunos em nível pré-silábico, pode sugerir atividades de comparação entre palavras, exploração de quantidade mínima de letras e jogos com o próprio nome.
Para hipótese silábica, listas com diferentes estruturas silábicas, propostas de conflito cognitivo e contagem oral de sílabas antes da escrita.
Para nível silábico-alfabético, produção de pequenos textos com banco de palavras, revisão coletiva e ditado reflexivo.
Para alunos alfabéticos, ampliação de repertório textual, produção de gêneros simples e revisão ortográfica contextualizada.
A IA gera variações rapidamente. O professor mantém o foco no cognitivo.
3. Perguntas que promovem reflexão
O conflito cognitivo é elemento central na teoria de Ferreiro. A IA pode sugerir perguntas como:
– Por que você usou essa quantidade de letras?
– Essa palavra se parece com qual outra que já escrevemos?
– O que muda se trocarmos essa letra?
A IA amplia repertório, mas é o professor quem conduz a reflexão.
4. Planejamento estruturado
A IA também pode apoiar na elaboração de:
- Sequências didáticas por nível;
- Rotinas semanais com foco em avanço de hipótese;
- Critérios de acompanhamento formativo.
Isso fortalece um planejamento baseado em evidências, não em atividades aleatórias.
Tecnologia não interpreta a criança. O olhar pedagógico continua sendo humano.